A 6ª Vara da Fazenda Pública de Natal determinou a suspensão da terceirização das Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) da capital. A decisão tem efeito imediato e impede que três Organizações Sociais de Saúde (OSS) assumam a gestão das quatro unidades já no próximo dia 15, como estava previsto. A decisão foi anunciada nessa segunda-feira (08).
A disputa acontece em duas frentes. No Tribunal de Contas do Estado (TCE), o relator do processo já havia opinado pela suspensão, mas a palavra final ainda depende de decisão colegiada dos conselheiros da Primeira Câmara. Já no Judiciário, a ação popular ajuizada pelos vereadores Robério Paulino (Valença) e Brisa Bracchi (Bonavides) obteve êxito, com o juiz apontando falhas graves no processo.
Segundo a decisão, a Prefeitura de Natal tentou justificar a contratação sem apresentar estudos técnicos consistentes, o que poderia resultar em prejuízo milionário aos cofres públicos. Os contratos estavam avaliados em mais de R$ 1 bilhão ao longo de até 12 anos de vigência.
A medida ocorre em um momento delicado para a saúde pública da capital. Recentemente, outro contrato de terceirização — o dos serviços médicos — já havia se tornado alvo de polêmica, com aumento de mais de R$ 60 milhões em relação ao acordo anterior. A falta de médicos e a suspensão de cirurgias eletivas, que só agora começam a ser retomadas após negociação emergencial, agravam ainda mais o quadro.
Assim, a decisão judicial sobre as UPAs reacende o debate sobre o modelo de terceirização da saúde em Natal, justamente no momento em que a população enfrenta superlotação nos serviços de urgência e dificuldades no acesso a consultas e procedimentos.